Criminalização da Pobreza e dos Movimentos Sociais


Na madrugada de sexta para sábado as forças armadas entraram na Maré. Com um enorme operativo circulando por todo dia, a presença dos tanques circulando pelas ruas mais nos remetem ao golpe militar, que mal fadada, completa 50 anos.

O que diferencia os dois períodos – 1964 – 2014 – reside no fato de que o primeiro, imposto por um regime militar, e, o segundo, por uma presidente civil, torturada pelo regime militar!

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Nada mais vergonhoso, para não dizer imoral, para a democracia do que as imagens da troca de comando    realizada entre o atual Governador em exercício do Rio de Janeiro, Pezão,  e o Ministro da Celso                      Amorim,  pois enquanto as famílias vivenciavam a transformação do seu cotidiano pela presença militar,    o Ministro  sorria, como se fosse uma ação na Disneylândia,  à imprensa informando que a operação                decretada para  “segurança das famílias” ficará na Maré até o final da Copa, afinal, o objetivo é garantir        a copa!!!!

 

Causa indignação que a democracia civil reproduza a lógica supressora de direitos, quando se trata de  territórios proletarizados, cujo único modelo de segurança se dê por um controle militarizado sobre o território.

Circular pela Maré é acompanhar os desafios para democratização dos espaços sociais: concentração demográfica, decorrente da expropriação do território pelos interesses econômicos; ausência de saneamento básico; ausência de transporte de qualidade, mas, mesmo sem nenhuma política que garanta a dignidade dos moradores, agora na Maré as famílias terão para seu controle e (in)segurança: o exército, a marinha, a PM……

Apesar da tentativa da mídia global em insistir como foi pacífica a invasão militar e como as famílias estão “felizes”, a Maré resiste e luta por um novo modelo de gestão do território que seja inclusivo e não militarizado para atender aos interesses econômicos.

Fica, então,  o canto, o grito, de milhares de comunidades que se repetem nas mobilizações: Eu só quero é ser feliz, Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é. E poder me orgulhar, E ter a consciência que o pobre tem seu lugar (tem que lutar!).

cartaz

 

 

 Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quem não tem medo da fome, tem medo da comida. Os automobilistas têm medo de caminhar e os peões têm medo de ser atropelados.

A democracia tem medo de recordar e a linguagem tem medo de dizer.  Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas,  as armas têm medo da falta de guerras.

É o tempo do medo.

Medo da mulher à violência do homem e medo do homem à mulher sem medo. Medo dos ladrões, medo da polícia.

Medo da porta sem fechadura, do tempo sem relógios, do menino sem televisão. Medo da noite sem pastilhas para dormir e medo do dia sem pastilhas para despertar. Medo da multidão, medo da solidão, medo do que foi e do que pode ser.

Medo de morrer, medo de viver.

Eduardo Galeano – O Medo Global

 

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Nesta quinta-feira, dia 14 de março de 2013, houve uma operação policial de fechamento de uma clínica supostamente destinada à prática de aborto, na zona sul do Rio de Janeiro.

As mulheres que se encontravam no local foram levadas para prestarem esclarecimento na 5° Delegacia de Polícia, no Centro da cidade.

A medida reitera a manutenção das políticas criminalizadoras das mulheres que desejam interromper uma gravidez. Ressalta-se que o enquadramento da prática de aborto no Brasil no rol dos tipos penais, camufla o fato de que o tema deve ser tratado com políticas públicas no campo da saúde.

As tentativas de criminalização e encarceramento das mulheres que se encontram nessa situação mostram-se como uma política que não ataca as reais problemáticas envolvidas na questão.

Nesse sentido, uma política de saúde pública levada a sério, traria para o campo das problemáticas envolvidas a situação desigual da mulher no mercado de trabalho, a desigualdade na distribuição de renda no país, a completa ausência de creches públicas que possibilitem o cuidado às crianças enquanto as mães trabalham, etc.

Fonte: Centro de Assessoria Popular Mariana Criola

No dia 28 de fevereiro, às 17:00h, no Auditório da Escola de Magistratura do Rio de Janeiro (EMERJ) haverá o lançamento da pesquisa Prisões para quê e para quem: diagnóstico do sistema cacerário e perfil do preso. A pesquisa foi coordenada pelo Professor Doutro Geraldo Luiz  Mascarenhas Prado e executada pelo Centro de Assessoria Popular Mariana Criola (RJ), em parceria com a Dignitatis – Assessoria Técnica Popular (PB), nos anos de 2011 e 2012.

O desenvolvimento da pesquisa foi apoiado pela Secretaria de Assuntos Legislativos do Minsitério da Justiça, a partir da Série Pensando o Direito.

O objetivo da pesquisa volta-se para a realização de uma diagnose do sistema de execução penal em dois estados da Federação, Rio de Janeiro e Paraíba, buscando desvelar os limites na aplicação das garantias da Lei de Execução Penal, seja por parte do sistema judicial, seja por parte da administração penitenciária.

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Diferente do que consta em matéria publicada no jornal O DIA, do dia 17 de janeiro, (“MST retira líderes ameaçados de morte em Campos”), o movimento esclarece que não retirou nenhuma liderança da região. “O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem informações de que pessoas saíram do acampamento, mas não foi iniciativa do movimento retirá-las. Há um clima de insegurança e medo pelos últimos acontecimentos. É normal que as famílias queiram sair de lá”, explicou o dirigente estadual do MST, Marcelo Durão. No momento, nenhum assentado está correndo risco de vida ou esteja “marcado para morrer” como afirmou a publicação.

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17/01/2013

Por Fernanda Vieira

quero escrever-me de homens

quero calçar-me de terra

quero ser a estrada marinha

que prossegue depois do último caminho

e quando ficar sem mim

não terei escrito senão por vós

irmãos de um sonho

por vós que não sereis derrotados

deixo a paciência dos rios

a idade dos livros

mas não lego mapa nem bússola

porque andei sempre sobre meus pés

e doeu-me às vezes viver

hei-de inventar um verso que vos faça justiça

por ora basta-me o arco-íris em que vos sonho

basta-te saber que morreis demasiado

por viverdes de menos

mas que permaneceis sem preço

Companheiros – Mia Couto

 

 

Escrevo como uma homenagem tardia, mas também como forma de apaziguar o meu espírito que se remoi por não estar nesse momento cercada pelos muitos companheiros e companheiras diante da tristeza e dor pelo assassinato do companheiro Cícero. Nunca vivenciei de forma tão opressiva o distanciamento entre corpo e coração: se meu corpo permanece no rj, meu coração encontra-se em campos, dolorido e solidário à familia de Cicero. Peço então aos que puderem que encaminhem para a família de Cícero esta homenagem como um pedido de desculpas meu…envergonhado pela minha ausência, na esperança de que o desejo de estar presente supere distâncias…

 

Não cheguei a tempo de me deslocar para Campos, assim escrevo marcada por profunda tristeza de não poder prestar essa homenagem ao Cícero e com o opressivo sentimento de impotência diante da certeza de que um gesto como esse, tão ignóbil, tão torpe como o assassinato de um homem, cuja vida se voltava para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna, mesmos as palavras silenciam por vergonha!

 

Conheci Cícero na luta por conquistarmos a Usina improdutiva Cambahyba e já se passaram um pouco mais de 1 década em que as muitas famílias de sem terra esperam essa desapropriação, o que demonstra que o tempo é uma estrada com muitos caminhos e o nosso judiciário, no que se refere em garantir justiça para os deserdados da terra, escolhe sempre o caminho mais longo, quando não resolve parar no meio do caminho.

 

Uma das características mais marcantes de Cícero, pelo menos para mim, era justamente sua voz. Grossa e potente. É que habitualmente falo alto e assim sempre me alegra encontrar irmãos e irmãs que compartilham dessa incontinência vocal. Mas Cícero, com certeza, me ganhava.

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Em dezembro de 2012, o Centro Simon Wiesenthal inseriu o cartunista carioca Carlos Latuff no ranking dos “dez maiores antissemitas do mundo”, tendo o mesmo ocupado o terceiro lugar.

 

A menção se deu em decorrência de charges onde foram desenhados o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu e o bombardeio a Gaza.

 

De acordo com o próprio cartunista, em petição pública da AVAAZ:

 

“Há muito que organizações e indivíduos tentam associar críticas legítimas ao estado de Israel com ódio aos judeus. Figuras como o escritor José Saramago, o prêmio Nobel da paz Desmond Tutu e o ex-presidente Jimmy Carter já foram tachados de antissemitas por suas posições quanto ao conflito na Palestina. Chega de tentar calar a voz de quem se levanta contra o apartheid imposto por Israel ao povo palestino. O antissemitismo não pode e não deve ser utilizado como ferramenta política. Se você é contra essa manipulação, assine a petição e declare: ANTISSIONISMO NÃO É ANTISSEMITISMO!”
O Centro de Assessoria Popular Mariana Criola solidariza-se com o cartunista Carlos Latuff e se manifesta terminantemente contrário a qualquer associação do mesmo com práticas racistas e/ou antissemitas. O ativista sempre esteve à frente das causas em defesa dos direitos e da emancipação humana, não cabendo, em hipótese alguma, a veiculação de informações que o desabonem.

26 de janeiro de 2013

 

Da Pàgina do MST

 

O trabalhador rural e militante do MST Cícero Guedes foi assassinado por pistoleiros nesta sexta-feira (25/1), nas proximidades da Usina Cambahyba, no município de Campos dos Goytacazes (RJ).

Cícero foi baleado quando saía do assentamento de bicicleta. Nascido em Alagoas, ele foi cortador de cana e coordenava a ocupação do MST na usina, que é um complexo de sete fazendas que totaliza 3.500 hectares.

Esse latifúndio foi considerado improdutivo, segundo decisão do juiz federal Dario Ribeiro Machado Júnior, divulgada em junho.A área pertencia ao já falecido Heli Ribeiro Gomes, ex-vice governador biônico do Rio, e agora é controlada por seus herdeiros.

Cícero Guedes era assentado desde 2002 no Sítio Brava Gente, no norte do Rio de Janeiro, no assentamento Zumbi dos Palmares, mas continuou a luta pela Reforma Agrária. Era uma referência na construção do conhecimento agroecológico tanto entre os companheiros de Movimento como também entre estudantes e professores da Universidade do Norte Fluminense.

No lote, ele desenvolvia técnicas da agroecologia, com uma diversidade de plantas , respeitando a natureza e aproveitando de tudo que ela poderia dar. Começou com o plantio de sua cerca viva de sabiá, que viu sua propriedade melhorar visualmente e também obter uma boa fonte de renda.

Cícero também era conhecido pelas suas bananas, presentes em muitas partes do lote, consorciadas com leguminosas, milho e espécies frutíferas.Os filhos cresceram vendo a experiência se desenvolver e aprenderam com o pai que os alimentos produzidos na agroecologia  têm  qualidade superior aos do supermercado

O agricultor assentado Cícero Guedes dos Santos, desde o inicio da ocupação do seu lote em 2002, já possuía o desejo de ter em sua área diversidade de plantas , respeitando a natureza e aproveitando de tudo que ela poderia dar. A natureza , inclusive, foi a fonte de inspiração para esse tipo de consciência e o entendimento da mesma fez com que esse sentimento de preservação e convívio fosse dia-a-dia aumentando.

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Autor(es): agencia o globo:Daniel Aarão Reis
O Globo – 29/03/2011
A recente viagem ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, continua a suscitar indagações.

O mundo já está acostumado aos shows midiáticos e aos espetáculos de pirotecnia que cercam os deslocamentos do chefe da maior potência mundial, mas eles de modo geral estão associados a objetivos definidos ou presumíveis.

Não foi o caso da última viagem.

O que veio Obama fazer no Brasil?

Bater um papo com Dilma Rousseff? Tomar drinks com ex-presidentes? Visitar o Corcovado à noite? Fazer um comício no Teatro Municipal? Espiar um grupo de capoeira na Cidade de Deus?

Fiquemos com as cenas mais bonitas: o panorama da cidade e o jogo da capoeira. Eu seria o último a subestimar a linda vista que se pode descortinar do Cristo ou a não valorizar o ritmo e a beleza da luta que se realiza ao som do berimbau, mas seriam razões suficientes para mobilizar oitocentos homens, um porta-aviões, cinco helicópteros, duas limusines blindadas e mais a parafernália de soldados e guardas brasileiros, sem falar no precioso tempo de sumidades políticas e jornalísticas do Brasil e do mundo?

Não há um ridículo atroz neste jogo de cena?

O fato é que a viagem provocou, como seria de esperar, a ira de grupos e partidos revolucionários. Um deles, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado/PSTU, resolveu protestar. Um ato de rotina numa república democrática. Quem gosta aplaude. Quem não gosta protesta.

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Desde maio de 2009 o Centro de Assessoria Popular Mariana Criola acompanha os inúmeros processos decorrentes da criminalização da luta de pescadores pela preservação da Baía de Guanabara e, especialmente, de uma de suas lideranças, Alexandre Anderson de Souza, presidente da Associação Homens do Mar da Baía de Guanabara (AHOMAR).

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